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Como Colocar e Retirar suas Lentes Rígidas

Um tutorial explicativo em vídeo bastante didático sobre como colocar e retirar suas lentes de contato rígidas gás permeáveis (RGPs).


domingo, 13 de julho de 2014

Lentes Esclerais - O que são? De onde surgiram?

Pacientes com dificuldades na adaptação de lentes rígidas podem atualmente beneficiar-se de uma tecnologia que foi reintroduzida na última década, as chamadas modernas lentes esclerais. Estas lentes são preenchidas com uma solução salina sem conservantes e inseridas nos olhos com o paciente olhando para baixo, de baixo para cima de forma que o fluido não derrame.

As lentes esclerais foram utilizadas por alguns especialistas especialmente na Inglaterra e nos EUA até 1970 aproximadamente. Eram fabricadas em material de acrílico e grande parte delas eram moldadas utilizando um produto parecido com aquele que os dentistas fazem moldes de dentes. O processo de fabricação era rudimentar. Elas proporcionavam apenas 2 a 4 horas de uso e se utilizadas por mais horas provocavam edema de córnea. 
Fig.1: Lente escleral (esquerda) e lente rígida (direita)

Com o surgimento das lentes rígidas pequenas, corneanas, também em acrílico, e também das lentes gelatinosas a utilização de lentes esclerais caiu em desuso e somente um ou outro especialista nestes países continuou com a adaptação destas lentes. Com as lentes rígidas em material acrílico a incidência de edema de córnea diminuiu um pouco aumentando o número de horas que os pacientes podiam usar as lentes para algo em torno de 8 - 10 hs. 

Nos anos 80 surgiram os materiais gás permeáveis e com isso as lentes rígidas gás permeáveis, estas já não provocavam edema (salvo em casos onde o desenho da lente era muito ruim) e aumentou o número de horas de uso substancialmente. Desde então novos materiais RGPs vem sendo desenvolvidos com propriedades cada vez melhores para manter a saúde fisiológica corneana, conforto e uma melhor acuidade visual, embora isso atualmente dependa mais do desenho, qualidade e tecnologia das lentes.

Em meados de 2001 um fornecedor de matéria-prima para fabricação de lentes de contato enviou algumas amostras de um material de lentes RGPs de diâmetro maior (16.0 mm.) e a pedido de meu pai, Dr. Saul Bastos, começamos a fazer alguns ensaios com este material, primeiro adequando o equipamento para aquele material que era uma "novidade" e impressionava pelo diâmetro maior. A partir de então comecei a estudar lentes esclerais e desenvolver alguns protétipos até que em 2007 fizemos os primeiros ensaios controlados com pacientes reais no Instituto de Olhos Dr. Saul Bastos (IOSB). Após um período de acompanhamento de 20 pacientes finalmente em 30 de Julho de 2009 a Ultralentes oficialmente lançou (dia do aniversário de meu pai, uma homenagem a ele) as lentes SSB (ou Semi-Scleral Bastos) e posteriomente as lentes Scleral Bastos (SB) estas sim as verdadeiras lentes esclerais devido aos diâmetros maiores entre 18.0 e 22.0 mm.
Fig.2: Lente Escleral SB tipo Full Scleral (Ultralentes)

No âmbito internacional alguns fabricantes também começaram a fabricar as suas versões das modernas lentes esclerais com desenhos de alta precisão e materiais gás permeáveis. No Brasil a Ultralentes é pioneira no desenvolvimento, projetos e fabricação de lentes esclerais e semi-esclerais, pouco tempo depois outro fabricante iniciou testes e fabricação de lentes esclerais mas com tecnologia comprada por licença de uma empresa dos EUA. Esta empresa por se de grande porte foi em parte responsável pela atual popularização das lentes esclerais, já as lentes desenvolvidas pela Ultralentes estão disponíveis para um seleto grupo de especialistas, oftalmologistas muito experientes na reabilitação visual com lentes especiais e que já adaptavam as lentes RGPs especiais de alta tecnologia.

Há portanto uma vasta diferença tecnológica entre as lentes esclerais do passado com as atuais, os materiais utilizados são diferentes, os desenhos são mais precisos, o processo de fabricação é outro, mas o conceito de ter uma lente que não toca a córnea e nem o limbo (não devem tocar) e se apoiam na esclera continua o mesmo. Tenho muito orgulho que os desenhos de lentes especiais que venho desenvolvendo ao longo das últimas décadas estejam ajudando a centenas de pacientes que por muito tempo sofreram com lentes de qualidade pobre, com desconforto, lesões recorrentes e mesmo a falta de adaptação. Atualmente as lentes da linha Ultracone são, em minha opinião como especialista em desenhos especiais, a melhor lente para ceratocone já desenvolvida e com isso a indicação de lentes esclerais fica limitada somente aos casos onde não foi possível adaptar lentes rígidas, pois existem casos onde devido ao ápice do ceratocone e seu formato não permitirem uma adaptação satisfatória de lentes RGPs.

Vídeo 1: RGP Ultracone Absolute

Os oftalmologistas que não conhecem o trabalho que é feito pela Ultralentes não fazem ideia dos resultados que são obtidos com as lentes RGP Ultracone, Ultracone PCR, Ultracone Nipple, Ultracone Advance/Extreme. Estas últimas permitem a adaptação de casos de ceratocone avançado ou extremo onde a córnea ainda apresenta transparência suficiente para obter uma acuidade visual satisfatória.

Fig.3: Lente Semi-Escleral (esquerda) e Full Scleral (direita)
As lentes esclerais desenvolvidas pela Ultralentes possuem uma alta qualidade e tecnologia, atualmente com três desenhos especiais com grande capacidade de personalização, podem proporcionar valores de SAG bem mais elevados que as demais lentes esclerais. Estas lentes estão disponíveis para um seleto número de oftalmologistas credenciados na Ultralentes. Para que outros oftalmologistas possam adaptar as lentes SSB e SB, assim como toda a linha de lentes RGPs é necessário entrar em contato com a empresa para obter maiores informações. 


Nos casos onde há dificuldades em adaptar lentes outras esclerais as lentes Scleral Bastos (SB) podem ser a solução ideal para o sucesso da adaptação. As lentes SB podem ser fabricadas em diâmetros de até 22.5 mm. e sua utilização serve não somente a casos de ceratocone de qualquer tipo mas como para casos de pós-transplante, ceratoglobo, degeneração marginal pelúcida, doenças da superfície ocular diversas como síndrome de olho seco, síndrome de Stevens Johnson, síndrome de Sröegen, queimaduras químicas ou por radiação entre outras situações onde a presença do fluido entre a lente e a córnea proporciona um ecossistema saudável para a córnea e para o limbo.

Vídeo 2: Lente SB adaptada em ceratocone

É inegável a melhora da tecnologia em lentes esclerais, abre-se uma nova possibilidade para aqueles que nunca conseguiram uma adaptação ou que sofrem com o uso de lentes rígidas, estas lentes proporcionam um conforto muito grande para o paciente. É importante no entanto comentar que muitas pessoas que tiveram ou tem dificuldades com as lentes rígidas tenham experimentado lentes de má qualidade ou mal adaptadas o que possivelmente pode ser o motivo pelo qual elas ficam traumatizadas e concluem que não conseguem usar ou que não serve para elas ou que todas as lentes rígidas são ruins, o que não é verdade pois caso tivesse testado uma lente Ultracone o resultado poderia ser melhor. Outra questão importante é que as lentes esclerais nem sempre são solução para todos, há alguns casos onde há uma dificuldade maior como pacientes com a fissura palpebral muito estreita, córneas comprometidas com endotélio doente devem ser observados com atenção. Outras dificuldades que são comuns são a presença de obstáculos na esclera como a pterígio, pinguécula e cistos. A Ultralentes fabrica lentes com dispositivos para contornar ou sobrepor estes obstáculos mas o oftalmologista deve utilizar a consultoria especializada da qual eu sou responsável para que o caso possa ser estudado e assim desenvolver uma solução altamente personalizada.


Luciano Bastos
Diretor & Consultor em LC Especiais
ULTRALENTES


Outras fontes de informação:




Um comentário:

  1. Boa tarde, gostaria de saber que tipo de implicações ocasionaram a lente escleral em um indivíduo com fissura palpebral estreita. E como contornar tal problema.

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